Infelizmente, violência dentro do casamento é um tema bastante conhecido. Mas ultimamente, vários estudos mostram que a violência começa no namoro.
Segundo um estudo desenvolvido por investigadoras da Universidade do Minho, um em cada quatro jovens, com idades entre os 13 e os 29 anos, reconheceu ter sido vítima de comportamentos abusivos. E estes dados espelham uma situação muito semelhante nos Estados Unidos e no resto da Europa.
Existe tanta violência no namoro como no casamento: 25% dos jovens já foram vítimas. Os mais novos começam a agredir-se cada vez mais cedo.
Os adolescentes, embora reprovem a violência em abstracto, depois encontram justificações e desculpam a violência em situações específicas, como os ciúmes ou a infidelidade.
Apesar do muito que se ter progredido em termos de condição feminina, as raparigas ainda são educadas para idealizar o amor. No entanto, uma das grandes diferenças entre a violência nas relações adultas e nos adolescentes é que as raparigas mais novas também são agressivas nas suas relações amorosas. No entanto as raparigas parecem sofrer mais a influência de um certo discurso sobre o amor e o romance muito idealizado, que acredita que o ‘verdadeiro amor’ sobrevive a tudo e que vão ser capazes de mudar um parceiro abusivo. Isto pode levar a tolerar, desculpar e permanecer mais tempo em relações abusivas.
Os homens também são vítimas disto tudo, e estas não são relações dentro das quais eles se sintam bem, eles comportam-se da maneira que acham que lhes é exigida, achando que para serem homens, têm de ser violentos.
Portanto, é importante apresentar novos modelos de masculinidade aos jovens, ou eles vão continuar a pensar que não ser violento é ser homossexual. E no contexto de homofobia em que vivemos, eles preferem tudo menos serem homossexuais.
Quando surge a violência nas relações?Eles pensam que:•Têm o direito de decidir certas coisas pela namorada.
•Que têm mais força do que as raparigas.
•Que as raparigas têm de fazer o que eles mandam.
•O respeito impõe-se.
•Ser masculino é ser agressivo e usar a força.
Elas acreditam que: •As crises de ciúmes e o sentimento de posse significam que a ama.
•São as responsáveis pelos problemas da relação.
•Não podem recusar ter relações sexuais quando ele deseja.
Formas de Violência:A violência pode tomar várias formas: tanto pode ser a nível
físico,
psicológico,
emocional,
verbal,
económico e/ou
sexual.
Normalmente, o objectivo do agressor é o de controlar, isolar, fragilizar e causar insegurança à vítima.
# Violência Psicológica: • É caracterizada pela rejeição, discriminação, humilhação e desrespeito exagerado. Este tipo de violência não deixa marcas corporais visíveis, mas a nível emocional causa cicatrizes profundas para toda a vida.
Exemplos: Dar murros nas parede, ameaçar matar-se, ameaçar bater, destruir bens pessoais, perseguir.
# Violência Física: • Consiste basicamente no uso da força com o objectivo de magoar, e pode ou não deixar marcas evidentes. O que é mais comum neste tipo de violência são os murros e chapadas, agressões com vários objectos e queimaduras por objectos e substâncias líquidas.
Exemplos: Beliscar, Morder, Arranhar, Cuspir, Pontapés, esmurrar, empurrar.
# Violência Verbal: • Alguns agressores verbais dirigem os seus insultos contra pessoas próximas da vítima. No caso das mulheres, estas tendem para utilizar este tipo de violência para se defenderem ou agredir, visto que possuem menor força física.
Exemplos: Chamar nomes, gritar, insultar, fazer comentários cruéis.
# Violência Económica • A violência económica é aquela que explora o outro indivíduo. Pode suceder neste tipo de violência a privação do acesso de bens materiais à vítima. Controlar as despesas (o dinheiro que gastou…).
Exemplos: Esconder a situação financeira ao companheiro, negar o acesso do companheiro a conta bancária,
# Violência Sexual • Tipo de violência em que envolve relações sexuais não consentidas e pode ser praticada tanto por um conhecido ou familiar ou por um estranho. Normalmente tende a ser ocultada, por vezes por se achar que se pode ser considerado mentiroso ou então por vergonha.
Exemplos: Forçar a ter relações sexuais com outras pessoas, criticar, insultar, toques não desejados, forçar a actos sexuais não desejados, violação.
# Violência Emocional • Neste tipo de violência não há agressão, mas o moral e a auto-estima são extremamente violados. O agressor, destrói totalmente a confiança e auto- estima da vitima, até reduzi-la a nada.
Exemplos: Criticar pensamentos, sentimentos, opiniões e acções, deitar abaixo devido a defeitos físicos, forçar a fazer coisas degradantes, não considerar a sua opinião em certas decisões, insultar pessoas de quem gosta ( amigos ou família), controlo das saídas/conversas telefónicas, culpar de tudo o que corre mal, ter atitude de extremo ciúme.
Há raparigas que provocam os namorados, não admira que eles se descontrolem » Nenhum/a namorado/a tem o direito de agredir o outro /a quando o/a própria ou a outra pessoa discorda de alguma coisa, de alguma opinião ou de alguma opinião ou de algum comportamento.
Ele/a só é violento/a quando bebe álcool em excesso ou consome drogas » O consumo excessivo de álcool e/ou drogas serve apenas como argumento do/a agressor/a para desculpar o seu comportamento e para não se responsabilizar pelo mesmo. Os consumos podem facilitar a violência, mas apenas em quem já manifesta tendência para ser violento.
Os rapazes nunca são vítimas de violência » Vários estudos sobre esta temática apontam que os rapazes também podem ser vítimas de violências física, emocional e/ou sexual
Mitos e realidades: *
Mito: A violência no namoro não é uma situação comum nem séria.
»
Realidade: A violência não é apenas um problema de adultos, também ocorre nas relações amorosas entre adolescentes.
*
Mito: As adolescentes gostam dessas relações ou não continuariam com o namoro.
»
Realidade: As adolescentes mantêm as relações de namoro por várias e complexas razões, nunca por gostarem de ser abusadas. Ninguém se mantém numa relação de abuso porque gosta e sair duma relação violenta pode ser um processo muito difícil.
Tens o direito de: 1. Não ter namorado;
2. Expressar as tuas ideias ;
3. Expressar os teus sentimentos, mesmo sendo negativos;
4. Escolher o teu trabalho e a tua religião;
5. Viver sem medo;
6. Ter tempo para ti;
7. Gastar o teu dinheiro como bem entendes;
8. Ser apoiada pela tua família e amigas/os;
9. Ser ouvida pelas tuas amigas, amigos e familiares;
10. Escolher as tuas amigas e amigos;
11. Expressar as tuas convicções, competências e talentos;
12. Decidir se queres participar em actos sexuais ou não.
Razões pelas quais se continua numa relação violenta:1. Gostar realmente do namorado, querer que a violência acabe e não o namoro e acreditar que poderá mudá-lo.
2. A pressão do grupo: - Normalmente, os namorados partilham o mesmo grupo de amigas e amigos, o que é que o grupo vai fazer se terminar o namoro? Vai escolher ficar do lado dela ou dele? E se não acreditarem nela ao saberem os motivos que a levaram a terminar a relação? Os rapazes que são violentos em privado podem aparentar serem calmos e carinhosos publicamente.
3. A vergonha de contar à família e aos amigos o que se está a passar.
4. O medo de sofrer represálias, perseguições e ameaças.
Causas da violência: *Traumas do passado.
*Ciumes.
*Necessidade de "representar" o seu papel na sociedade. O papel de "Homem".
*Poder e controlo sobre a vitima.
*Desconfianças e inseguranças na relação.
Consequências da violência no namoro: * Perda de apetite
* Nódoas negras no corpo e/ou no rosto
* Nervosismo
* Tristeza
* Ansiedade
* Sentimentos de culpa
* Baixa auto-estima
* Depressão
* Isolamento
* Gravidez indesejada
* Doenças sexualmente transmissíveis
* Baixo rendimento escolar ou abandono escolar
* Suicídio
Existem diversas entidades que prestam serviços de apoio às vítimas de violência doméstica: *
Linha de Emergência Nacional – Serviço telefónico gratuito, através da linha 144, disponível 24 horas por dia.
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Linha Telefónica de Informação às Vítimas de Violência Doméstica – Serviço telefónico de informação gratuito, anónimo e confidencial, através do número 800 202 148, disponível 24 horas por dia.
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CIDM (Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres) disponibiliza um serviço de informação e apoio jurídico de carácter confidencial e gratuito. É necessário fazer marcação prévia nas instalações da CIMD.
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UMAR (União Mulheres Alternativa e Resposta), uma organização não governamental de mulheres que disponibiliza centros de atendimento, apoio e acolhimento às mulheres vítimas de violência.
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APAV (Associação Portuguesa de Apoio à Vítima) proporciona apoio jurídico, psicológico e social às vítimas de crime e a seus familiares.
Fontes:
http://www.slideshare.net/telmorod2/violncia-no-namoro-adolescente?src=related_normal&rel=4125160
http://www.slideshare.net/epsdcarlosi/violncia-namoro?src=related_normal&rel=4125160
http://www.slideshare.net/veronicasilva/violncia-no-namoro?src=related_normal&rel=4677652
http://www.slideshare.net/guest18a5ad/palestra-violncia-no-namoro