Ângelo, acerca do debate do aborto, que é o que se está a falar aqui. Tinha de ser debatido.
Há coisas que têm de ser debatidas, independentemente de não existir no assunto um certo ou um errado seguros.
Tem de haver debates e têm de se encontrar consensos em relação a tudo senão, das duas uma: ou estávamos numa ditadura, levados pela vontade de uma figura que é superior à vontade de todos; ou estávamos numa anarquia, onde cada um faz o que quiser o bem lhe apetece e não há fronteira entre a liberdade de uns e de outros e voltamos à selva por cada vez que surja um desentendimento.
As coisas têm de ser debatidas na sociedade, mesmo que depois só tenham efeito a nível individual. Têm de ser debatidas, porque tem de se chegar a uma legislação para que, quando surja um desentendimento entre partes, se possa resolver na via legal. E têm de ser voltadas a debater tempos depois de maneira a que se mudem as leis quando a mentalidade da sociedade também muda.
Se o aborto não tivesse sido debatido, ainda hoje era ilegal e tinha-se cortado a liberdade a muitas mulheres (que para abortarem ilegalmente ou iam a Espanha, ou gastavam balúrdios ou arriscavam a própria saúde).
E se, como tu dizes, mais de metade da população portuguesa é ignorante demais para entrar num debate destes, a solução não é proíbi-los de debater, mas sim educa-los para que possam ter uma posição válida e consistente.