David Fincher conta em ‘A Rede Social’ a história do génio anti-social por trás do Facebook. Mark Zuckerberg criou o Facebook aos 19 anos, angariou inimigos, tornou-se bilionário (sem precisar de concursos de tv) e já deu filme (sem a sua aprovação), aos 26 anos.
Em 1995, no que parecia ser a pré-história da Internet, uma rapariga chamada Sandra Bullock era fugitiva no filme A Rede, que mostrava como a informação oficial já passava pela Internet e como isso podia ser perigoso.
Hoje a Internet é o mundo da partilha social. Google, Youtube, Facebook são “casa” para filhos, pais e até avós.
Depois de nos ter trazido o filme-existencialista Clube de Combate e pérolas como 7 Pecados Mortais, O Jogo, O Estranho Caso de Benjamin Button e Zodiac, David Fincher é o homem perfeito para nos contar a incrível e narcisista história de como um jovem, Mark Zuckerberg, criou a rede social que expandiu a forma como interagimos uns com os outros na Internet.
O Facebook é hoje a maior rede social do planeta, com 500 milhões de utilizadores e a ironia é que o seu criador é um jovem solitário programador.
Zuckerberg (bela interpretação de Jesse Eisenberg) é retratado entre o tipo insensível e anti-social mas inteligente, muito egocêntrico mas determinado, sem escrúpulos para atingir objectivos mas trabalhador.
O filme de Fincher, escrito por Aaron Sorkin e baseado no livro de 2009 do jornalista Ben Mezrich, Milionários Acidentais, mostra o energético Zuckerberg no seu jeito para duas coisas: afastar raparigas e amigos e programar.
Génio com inimigos
O que despoletou o Facebook chamava-se Facemash – um site que reunia (indevidamente) fotografias das raparigas da Universidade de Harvard. O filme depois mistura os momentos em que Zuckerberg e os seus advogados respondem aos dois processos judiciais de que ele foi alvo e os momentos da criação do site, fechado no quarto, a programar, ainda sem noção do que estava a criar.
Os processos chegaram porque Zuckerberg enganou dois colegas elitistas que tiveram uma ideia próxima do Facebook e o contrataram; e enganou o seu único amigo, Eduardo, que foi quem pagou o projecto desde o início.
Sean Parker, o ‘guia’ para as boas ideias
Personagem a não perder é o “geek” engatatão e com talento para o negócio, Sean Parker – excelente interpretação de Justin Timberlake. Parker é o co-criador do mítico site de partilha de música, Napster, e ajudou Zuckerberg a escolher o caminho para o Facebook – passa por não vender o projecto nem prescindir de ser o CEO. É mais um jovem talento da era da Internet.
O poder de uma ideia
O filme assume-se como um retrato pertinente e actual (Fincher fez questão que estreasse este ano e pudesse, assim, ser de uma actualidade rara no cinema) sobre a juventude, o orgulho, a traição... E o poder de uma boa ideia, que uniu socialmente parte do mundo. Tudo criado por alguém muito pouco social.
Apesar de não ser uma comédia, um thriller, um filme de acção, não ter cenários espectaculares (passa-se entre os quartos simples de Harvard e uma vivenda em Palo Alto), é um filme de personagens complexas (é fácil não gostar do protagonista), de significados diversos profundos e que promete não deixar ninguém indiferente.
E não, não é um filme para amantes do Facebook, é um filme para amantes de uma boa história.
Classificação: * * * * *
FICHA
Realizador: David Fincher
Com: Jesse Eisenberg, Andrew Garfield, Justin Timberlake, Rashida Jones
Género: Drama/Biografia
EUA, 2010; 121 minutos